Entre o sujo e o mal lavado

Na reta final da campanha pra presidente é que os candidatos colocam as manguinhas de fora. É acusação pra lá e pra cá, apelação, fingimento, encenação e cinismo pra tudo que é lado. Baixo nível mesmo. Os candidatos só não colocam a mãe no meio porque não compensa. Afinal, ela prestava menos que seus filhos, já que deu a luz a eles.

Mas o pior de tudo não é a encenação que os candidatos promovem pra convencer o eleitor. Pior é ver que a Dilma tem toda razão em dizer que o Serra não presta.

Um sujeito que nega suas origens partidárias, promete cumprir seus mandatos até o fim mas larga todos no meio, é dissimulado, cínico e frágil a ponto de cair com uma bolinha de papel, certamente não pode representar um país!

Ao mesmo tempo, Serra está mais do que certo em desmascarar a Dilma. Afinal, ela fala uma coisa e faz outra, se contradiz o tempo todo e se faz de inocente, sabe de tudo mas desconversa, e além de estar pegando carona numa onda que não é sua, tem por trás de si o apoio de uma quadrilha com a qual eu não ficaria sozinho no mesmo elevador nem a pau!

Um bando que tem Palocci, Zé Dirceu, Erenice, Collor, Jose Sarney, José Genoino, Marta “relaxa e goza” Suplicy, Michel Temer, só pra dizer alguns, além de mensaleiros, cuecas recheadas de dinheiro, aloprados e muito mais.

O que acontece é que nunca na história dessa eleição os candidatos foram tão honestos com o eleitor. Ou seja, é verdade que a Dilma não presta, o Serra não vale o que come e os dois estão certos. O problema é que, como sempre, a gente continua ferrado.


Neste caso, o inimigo ainda é o mesmo

Que o filme “Tropa de Elite 2 – O Inimigo agora é Outro” é um sucesso, isso ninguém tem a menor dúvida. Aliás, tem! Todo político que se preze e também os que não prezam nem a própria mãe, ou seja, todos!, certamente não vão aceitar o sucesso de um filme que os retrata com tanta fidelidade.

Certo mesmo é que depois de assistir ao filme e ver a platéia aplaudir durante a subida dos créditos, o brasileiro mais informado e com um pouco mais de senso crítico que o pessoal que vive às custas do Bolsa-Família, sai do cinema com um misto de revolta, impotência e fúria.

E claro, sai com uma vontade ainda maior de cortar os outros nove dedos do Lula, chamar a Dilma de mulher e jogar água benta na cara sem vergonha e pálida do Serra.

O buraco não é mais embaixo

O Brasil está prestes a eleger para o seu comando uma mulher que bate na mesa, fala grosso, é mais macho que muito homem e não é a Rita Lee. É uma evolução? Depende.

O concorrente mais à altura desse verdadeito tanque de guerra não tem peso pra enfrentá-la, quanto mais força. E o síndico atual, um baixinho, corintiano, de fala fácil mesmo com língua plesa, tem certeza absoluta – assim como seus assessores – que é mais famoso que os Beatles. Consequentemente, que Jesus Cristo também.

Mas se na política estamos condenados a uma única direção, já que as duas frentes que disputam o comando do país só concorrem no discurso e na prática vão para o mesmo lado, olhe pra cima e agradeça. Pelo menos lá, onde não há políticos, nem padres comedores de criancinha ou lobby pra chegar mais alto, as coisas andam estabilizadas.

É que a Organização Mundial da Meteorologia (OMM) acaba de anunciar que a camada de ozônio que protege a Terra dos níveis nocivos de radiação ultravioleta, estabilizou nos últimos 10 anos. Não é nada, pelo menos nesse caso, o buraco não é mais embaixo. Continua lá em cima mesmo.